tipos de toc

16-10-2020

Transtorno obsessivo-compulsivo: os diferentes tipos de TOC

Entenda mais sobre os tipos de TOC, quais são as características deste transtorno e como distinguir TOC de outras manias.

 

Quem não tem manias, não é mesmo? Muitas pessoas criam rituais particulares para algumas situações como, por exemplo, antes de fazer uma prova ou antes de pegar um resultado de exame médico.

E, quando o assunto é futebol, o que não faltam são exemplos de manias e rituais para determinado time vencer. Porém, a maior parte destas situações não atrapalha a vida das pessoas e, em certa medida, acabam sendo até um assunto descontraído de conversa entre a família e amigos.

Para entender o que diferencia essas manias que a maior parte das pessoas tem dos transtornos obsessivo-compulsivos, o post de hoje é exatamente sobre os diversos tipos de TOC.

Vamos lá?

 

Afinal, o que é TOC?

 

Antes de explicar os diferentes tipos de TOC, precisamos entender o que esse transtorno significa.

O transtorno obsessivo-compulsivo é caracterizado por obsessões e/ou compulsões. Mas você sabe a diferença entre obsessão e compulsão?

 

  • Obsessões: são ideias, imagens ou impulsos recorrentes, persistentes, indesejados e que provocam ansiedade e são intrusivos;
  • Compulsões: a compulsão é quando a obsessão se transforma em ação. Também são conhecidas como rituais e são caracterizadas por determinadas ações ou atos mentais que a pessoa se sente impelida a praticar para tentar diminuir ou evitar a ansiedade causada pelas obsessões ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

 

Ou seja, os pensamentos obsessivos são preocupações que invadem a mente sem nenhuma possibilidade de controle. E é na tentativa de aliviar esse pensamento constante que os indivíduos acabam, muitas vezes, cometendo os atos compulsivos.

É importante ressaltar que os transtornos obsessivo-compulsivos diferem das preocupações e rituais típicos, que de maneira coloquial chamamos de manias, por serem excessivos e persistirem.

Desta forma, o TOC é um transtorno psiquiátrico de ansiedade que tem como principal característica a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.

 

Principais tipos de TOC

 

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), os principais tipos de TOC incluem, principalmente:

 

  • Transtorno dismórfico corporal: caracterizado pela preocupação com a percepção de um ou mais defeitos ou falhas na aparência física que não são observáveis ou parecem apenas leves para os outros;
  • Transtorno de acumulação: O transtorno de acumulação se diferencia do colecionador considerado normal. Por exemplo, os sintomas do transtorno de acumulação resultam na acumulação de inúmeros pertences que congestionam e obstruem áreas em uso até o ponto em que o uso pretendido é substancialmente comprometido.
  • Tricotilomania (transtorno de arrancar o cabelo): A tricotilomania é caracterizada pelo comportamento recorrente de arrancar os próprios cabelos. Isso acaba resultando em perda de cabelo, além de tentativas repetidas de reduzir ou parar de arrancá-los.
  • Transtorno de escoriação (skin-picking): O transtorno de escoriação (skin-picking) é caracterizado por beliscar a própria pele de forma recorrente, resultando em lesões cutâneas, além de tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de beliscá-la.

 

Embora as obsessões e compulsões variem entre os indivíduos, certos aspectos são comuns no TOC como, por exemplo:

  • Limpeza: obsessões por contaminação e compulsões por limpeza;
  • Medo de contaminação: temer germes e bactérias, e sentir a necessidade de lavara as mãos para se proteger das doenças causadas por elas.
  • Simetria: obsessões por simetria e compulsões de repetição, organização e contagem. Ou seja, com coisas bem alinhadas, muito organizadas ou simetricamente perfeitas
  • Pensamentos proibidos ou tabus: por exemplo, obsessões agressivas, sexuais e religiosas e compulsões relacionadas;
  • Ferimentos: por exemplo, medo de ferir a si mesmo ou aos outros e compulsões de verificação relacionadas.

 

Classificações:

 

Você sabia que o TOC pode ter duas classificações distintas? Entenda:

  • Transtorno obsessivo-compulsivo subclínico: as obsessões e rituais se repetem com frequência, mas não atrapalham a vida da pessoa;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito: as obsessões persistem até o exercício da compulsão que alivia a ansiedade.

 

Há uma idade para início do TOC?

 

Ainda não existe um consenso sobre a forma de como se determinar a idade de início do TOC.

No geral, a maior parte dos estudos considera o surgimento dos sintomas como a idade de início.

Porém, outros estudos consideram a idade de início do transtorno quando os sintomas começam a causar incômodo.

Na prática, a idade real do início do TOC não é facilmente identificada, pois os pacientes nem sempre percebem ou têm consciência do início dos seus sintomas.

Essa consciência só surge, muitas vezes, quando tais sintomas começam a incomodar e/ou a interferir nas funções cotidianas; Porém, é possível perceber dois picos de idade: entre 12 a 14 anos e entre 20 a 22 anos (Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP).

 

Diferença entre tipos de TOC e mania

 

É comum, por exemplo, que pessoas que são perfeccionistas serem confundidos com portadoras de TOC.

Então, como distinguir?

Quando essa característica (mania) passa a ocupar muito tempo do dia, gastando muita energia mental e quando não realizada, traz muito sofrimento e angústia, certamente é um sinal para buscar a avaliação de um profissional especializado.

Assim, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o diagnóstico de TOC só deve ser feito quando as obsessões e/ou compulsões:

 

  • consumirem tempo;
  • causarem sofrimento;
  • houver prejuízo significativo para a vida do portador.

 

Um pessoa com o TOC propriamente dito, normalmente sabe que isso é excessivo. E é comum gastar uma hora por dia ou mais com as tais obsessões ou compulsões.

Além disso, o conteúdo dos sintomas não deve se restringir a determinados temas específicos de outros transtornos psiquiátricos (por exemplo, preocupação com doença da hipocondria ou peso corporal da anorexia nervosa).

 

O que causa o TOC:

 

Embora tenha tratamento, as causas do Transtorno Obsessivo Compulsivo ainda são desconhecidas. Apesar disso, existem alguns indícios que podem contribuir para o seu desenvolvimento. A própria genética é um fator de risco.

Estudos apontam que pessoas com parentes de primeiro grau que têm TOC, apresentam mais riscos de desenvolver o transtorno. Pessoas que sofreram algum tipo de trauma na infância também podem acabar desenvolvendo a doença com mais facilidade.

Além disso, há pesquisas que apontam algum tipo de relação entre certas anormalidades em regiões do cérebro e o desenvolvimento do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Mas, como falamos, ainda não existe nada taxativo. Apenas pesquisas que buscam em sua origem um meio de facilitar o tratamento.

 

TOC precisa ser tratado?

 

O Transtorno Obsessivo Compulsivo, como o próprio nome já diz, não é algo a ser banalizado. Mas, sim, tratado.

Imagine-se convivendo com uma constante angústia ou ansiedade toda vez que se depara com sua “mania”. Assim mesmo, entre aspas, pois quem sofre com TOC tem nelas uma obsessão, que o leva a comportamentos repetitivos, ou rituais, de maneira angustiantemente exagerada.

É algo que atravessa o limite do saudável.

Lavar as mãos, por exemplo, é um hábito bom. Mas a partir do momento em que a pessoa se sente desconfortável em uma reunião de trabalho, em um jantar de família, precisando “se livrar” das bactérias a todo custo, o problema alcança outro tom.

Respondendo à pergunta: havendo o diagnóstico de um profissional, sim, o TOC deve ser tratado.

 

Como tratar o Transtorno Obsessivo Compulsivo:

 

O transtorno Obsessivo Compulsivo anda de mãos dadas com outros distúrbios mentais, como ansiedade, depressão e bipolaridade. Por isso, o primeiro passo é sempre buscar um acompanhamento psiquiátrico. A boa notícia é que bons resultados são observados na maioria dos casos.

De uma maneira geral, o tratamento normalmente envolve psicoterapia, medicação ou uma combinação dos dois. Mas antes de buscar “formas de cura”, novamente, é importante procurar a ajuda de alguém com experiência no assunto. Não falaremos sobre os tipos de medicamento aqui, pois isso é de responsabilidade médica.

Durante o tratamento, uma das possibilidades que se apresenta é a terapia de exposição, onde o paciente busca controlar seus rituais, passo a passo. Também pode ser recomendado uma combinação com terapias alternativas, como o Mindfulness, ou qualquer outra que envolva respiração e meditação. O objetivo é tornar a pessoa ciente de suas ações a maior parte do tempo.

 

Quer continuar se aperfeiçoando mais sobre autoconhecimento, bem-estar e qualidade de vida?

Separamos aqui outros 5 (cinco) posts que, certamente, vão te interessar:

 

Eu tenho uma Compulsão? Leia com calma – e entenda os principais tipos

Ansiedade: um guia completo para entender e combater o problema;

Como combater a ansiedade através de atividades físicas;

O que é fobia: sintomas, tipos e como tratar;

O que é Transtorno de Ansiedade Social?

 

E para você se manter sempre atualizado e acompanhando as novidades, comece agora mesmo a nos seguir nas diversas redes sociais: Facebook, Instagram e também aqui no Blog Zenfy.