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07-08-2021

O que são ansiolíticos: entenda mais sobre remédio para ansiedade

Entenda o que são ansiolíticos, quando tomá-los e veja o que especialista declara sobre o uso de remédio para ansiedade

 

Ansiolíticos são medicamentos utilizados no tratamento de distúrbios causados pela ansiedade. Porém, são necessários muitos cuidados para que seu uso traga benefícios para o paciente em detrimento aos efeitos colaterais.

Para entender mais sobre estes medicamentos, no post de hoje vamos explicar o que são ansiolíticos, quando tomá-los, entender como está a saúde mental do brasileiro e ver o que uma especialista declara sobre o uso de remédios para ansiedade.

Vamos lá?

 

O que são ansiolíticos?

 

De acordo com o MSD Manuals, medicamentos ansiolíticos e sedativos são medicamentos sob receita, usados para aliviar a ansiedade e/ou ajudar a dormir, mas seu uso pode causar dependência e transtorno relacionado ao uso de substâncias.

Já a interrupção de um destes medicamento depois de usá-lo por um longo período provoca ansiedade, irritabilidade e problemas para dormir.

 

Os riscos do uso de remédio para ansiedade

 

Ainda de acordo com o MSD Manuals, os medicamentos sob receita usados para tratar a ansiedade (ansiolíticos) e os indutores de sono (sedativos ou soníferos) incluem benzodiazepínicos (como diazepam e lorazepam), barbitúricos, zolpidem, zopiclona e outros.

Cada um destes medicamentos atua de maneira diferente. Assim, tem um potencial de dependência e de tolerância também diferentes.

Por exemplo, sintomas graves ou letais são menos prováveis com benzodiazepínicos do que com barbitúricos, pois no caso dos benzodiazepínicos a diferença entre as doses receitadas e as doses perigosas (chamada de margem de segurança) é grande.

 

Por que tomar ansiolítico?

 

O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) explica que os ansiolíticos são medicamentos que têm a propriedade de atuar sobre a ansiedade.

Estas drogas já foram chamadas, popularmente, de tranquilizantes. Atualmente, prefere-se designar esses tipos de medicamentos pelo nome de ansiolíticos, ou seja, que “destroem” (lise) a ansiedade. Também são utilizadas no tratamento de insônia e, nesse caso, também recebem o nome de drogas hipnóticas, isto é, que induzem sono.

Como já vimos anteriormente, os ansiolíticos mais comuns são substâncias chamadas benzodiazepínicos, que aparecem em medicamentos como:

  • Valium®;
  • Librium®;
  • Lexotan®;
  • Dormonid®;
  • Dentre outros.

 

O impacto do uso abusivo de ansiolíticos na vida das mulheres

 

Um estudo realizado pelo Laboratório de Psicanálise da Universidade Estadual do Ceará (Uece) explica que os benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais usados no mundo.

Porém, o uso contínuo desse tipo de medicamento tem alto poder de causar dependência. A partir do terceiro mês de uso, o risco aumenta em 10% e a partir de 12 meses as chances do paciente se tornar dependente da substância aumentam em 40%.

Dessa forma, considerando o longo prazo, os benzodiazepínicos apresentam mais riscos do que benefícios e a pesquisa aponta que o tempo de uso entre as mulheres é bem superior a 12 meses, ficando entre oito e nove anos, em média.

Na fase qualitativa deste estudo, a equipe descobriu que os motivos que culminaram na prescrição envolviam situações como perdas familiares ou exposição a situações de violência, por exemplo.

A pesquisa também revelou que, quando o uso de ansiolíticos se dá por tristeza ou perdas, a maioria das mulheres utiliza esses fármacos por mais de dois anos.

E qual é o perfil destas mulheres? O estudo revelou que o uso abusivo de ansiolíticos é realizado por mulheres com idade média entre 40 e 53 anos, solteiras, com filhos, baixa escolaridade e sem trabalho formal.

 

Como está a saúde mental do brasileiro?

 

O Ministério da Saúde divulgou alguns resultados da pesquisa sobre a saúde mental da população brasileira durante a pandemia da Covid-19.

Dos entrevistados, 82,5% disseram que mantiveram o distanciamento social durante a pandemia, e 88,6% não foram diagnosticados com coronavírus.

Com relação ao rastreio dos transtornos mentais (ansiedade, depressão e estresse pós-traumático), observou-se:

  • 74% de ansiedade na sua forma mais leve;
  • 26,8% de depressão na sua forma moderada;
  • 12,3% na sua forma grave.

 

Além disso, foi identificado que 29,33% dos brasileiros entrevistados procuraram ajuda profissional por questões relacionadas à saúde mental, sendo 20% em serviços particulares.

Outros 34,2% informaram que não procuraram ajuda, mas que gostariam de ter apoio psicológico principalmente para lidar com a ansiedade (78%) e o estresse (51,9%).

Já em relação ao uso de medicamentos, o estudo mostrou que o uso de antidepressivos aumentou em 15,79%. Desses, 7,2% alegaram que iniciaram a ingestão durante a pandemia. O uso de ansiolíticos foi o que apresentou maior índice (22,66%).

Além disso, uma outra preocupação é o uso de remédios para ansiedade juntamente com outras substâncias, como o álcool.

 

O uso de ansiolíticos e o álcool

 

A Anvisa explica que o uso de ansiolíticos com outros medicamentos e com o álcool é extremamente perigoso, pois todos os efeitos prejudiciais já explicados são intensificados. E isso pode causar graves danos à saúde dos pacientes.

 

O que a especialista fala sobre os ansiolíticos?

 

Para entendermos mais o ponto de vista de uma especialista sobre esses medicamentos, entrevistamos a Dra. Sayra Catalina, médica psiquiatra da Clínica Pontual. Veja agora as perguntas que fizemos e as respostas da profissional.

 

Pergunta Zenfy: Quando uma pessoa pode ou deve tomar ansiolítico?

 

Os ansiolíticos são medicamentos que têm propriedades calmantes e, em alguns casos, têm efeitos sedativos.

Seu uso está indicado nos casos em que intervenções primárias como a psicoterapia, técnicas de respiração diafragmática, atividade esportiva, dentre outras, não conseguem controlar os sintomas de ansiedade e de angústia.

Porém, é importante lembrar que há ansiolíticos com efeitos imediatos, que são usados em crises intensas de ansiedade como os ataques de pânico, alguns tipos de fobias ou alguns tipos de abstinência alcoólica ou de outras drogas.

Esses medicamentos pertencem à família dos benzodiazepínicos, conhecidos também como “medicações tarja preta”. Dentre os mais usados, temos o Clonazepam ou Rivotril, Alprazolam ou Frontal, Bromazepam ou Lexotam e Diazepam.

Sua prescrição deve ser cuidadosa e por curtos períodos, levando em conta seu alto potencial de dependência e tolerância química. Esse último termo , “tolerância”, tem a ver com a necessidade de aumentar cada vez mais a dose para atingir o efeito desejado.

Por outro lado, estão os ansiolíticos com efeitos de médio e longo prazo, como os Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (IsRs), indicados não exclusivamente para o tratamento da ansiedade, pois eles são usados também em outros transtornos como depressão ou transtorno obsessivo compulsivo.

A Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram, Paroxetina são os mais conhecidos deste grupo. Existem também outras medicações com propriedades ansiolíticas como Venlafaxina, Desvenlafaxina, Duloxetina e Pregabalina, dentre outras.

 

Pergunta Zenfy: Por quanto tempo os ansiolíticos podem ser usados?

 

O tempo varia de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de transtorno de ansiedade, intensidade, frequência e o prejuízo produzido no indivíduo.

Na grande maioria dos casos, os ansiolíticos da família dos benzodiazepínicos têm o uso restrito de 6 a 8 semanas, que geralmente é o tempo que o ansiolítico de médio e longo prazo começa agir.

Após esse período, o médico psiquiatra orienta a tirada gradativa até suspender. Sua suspensão abrupta pode provocar crises de abstinência. Existem outros casos que o psiquiatra prescreve ansiolítico de curto prazo para situações especificas, por exemplo: controlar ansiedade de uma viagem de avião ou antes de realizar uma prova ou entrevista.

Os ansiolíticos com efeitos a médio e longo prazo como Sertralina, Venlafaxina ou Pregabalina têm efeito calmante a partir das 4 a 6 semanas de uso. O tempo de tratamento indicado nestes casos é de, pelo mínimo, 12 meses.

Após esse tempo, e com adequado controle dos sintomas de ansiedade, seu médico psiquiatra pode iniciar a tirada gradativa até suspender completamente a medicação.

 

Pergunta Zenfy: Quais são os principais cuidados?

 

É importante lembrar que alguns ansiolíticos têm propriedades sedativas, aumentando o risco de quedas, acidentes de trânsito e confusão mental. O tipo de ansiolítico, assim com a dose do medicamento, leva em consideração a idade, as outras doenças do paciente e as outras medicações que ele usa.

Portanto, é fundamental evitar a automedicação e procurar sempre o auxílio de um profissional da saúde mental.

Cada vez tem mais estudos que associam o uso prolongado de benzodiazepínicos com declínio cognitivo e alterações comportamentais como risco aumentando de desinibição (sem filtro) e agressividade.

 

Fantástica a entrevista com a Dra. Sayra Catalina, não é mesmo?! Encerramos com chave de ouro nosso post sobre o que são ansiolíticos. Quer continuar se informando? Separamos aqui outros posts que, certamente, irão te interessar. Olha nossas sugestões:

 

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