o que é bulimia

11-06-2021

O que é bulimia: sinais, relatos de famosos, causas e tratamentos

Entenda tudo sobre bulimia: o que é, seus principais sintomas, causas, famosos que já passaram por isso, tratamentos e veja como reconhecer os sinais físicos iniciais.

 

A preocupação com um corpo esbelto pode, muitas vezes, chegar a um extremo e ser um gatilho para alguns distúrbios. E a pandemia potencializou grande parte destes distúrbios.

O Ministério da Saúde explica que mudança brusca na rotina e o estresse diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, têm como uma das consequências o agravamento de distúrbios psicológicos e, consequentemente, dos transtornos alimentares, como a compulsão alimentar, a anorexia e a bulimia.

Mas erra quem pensa que as pessoas que, aparentemente, estão dentro dos estritos padrões de beleza cruelmente impostos estão livres destes tipos de transtornos alimentares.

Dentre esses distúrbios, a bulimia pode surgir de maneira implacável. Muitas vezes mulheres que são aclamadas pela sua beleza, de repente, passam a se ver feias e criam uma imagem diferente de sim.

Por isso, no post de hoje vamos explorar as diferentes vertentes da bulimia. Para a gente não se perder, o que vamos falar aqui:

  • O que são transtornos alimentares;
  • O que é bulimia;
  • Incidência da bulimia por gênero e por idade;
  • Principais causas da bulimia;
  • Principais sinais físicos;
  • Famosas que já passaram pela bulimia;
  • Principais tratamentos;
  • Alerta: os transtornos alimentares podem ser um fator de risco para o suicídio.

Vamos lá?

 

 

O que são os transtornos alimentares e o que é a bulimia?

 

Antes de explicarmos o que bulimia, é importante entender que ela é um tipo de transtorno alimentar.

O Ministério da Saúde explica que em nenhuma época o corpo magro esteve tão em evidência como nos tempos atuais. Por isso, é perceptível que práticas de emagrecimento vêm aumentando de forma alarmante, especialmente os transtornos alimentares (TAs).

Os TAs mais comuns são:

  • anorexia nervosa;
  • bulimia nervosa;
  • transtorno da compulsão alimentar.

 

E o que é bulimia?

 

O nome correto é bulimia nervosa. De acordo com o Manual MSD, a bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo rápido e repetido de grandes quantidades de alimentos (episódios de compulsão alimentar) seguido por tentativas de compensar o excesso de alimentos consumido (por exemplo, ao praticar purgação, jejum ou exercício).

Assim, a pessoa come grandes quantidades de alimentos e, depois, induz o próprio vômito, usa laxantes, faz regime, jejua ou se exercita excessivamente para compensar. Essa compensação é o expurgo, ou seja, o comportamento compensatório.

Além disso, o próprio Ministério da Saúde faz um alerta: nem sempre a pessoa que tem bulimia apresenta magreza. O que chama atenção é o cuidado obsessivo e a dieta constante.

Um outro ponto que vale a pena destacar: em comparação com as pessoas que sofrem de anorexia nervosa, as que sofrem de bulimia nervosa tendem a ser mais conscientes do seu comportamento, que faz com que elas sintam remorso ou culpa (fonte: Manual MSD).

 

Incidência por gênero e idade

 

A Fiocruz pontua que, apesar da bulimia (assim como a anorexia) afetar, principalmente, adolescentes e jovens do sexo feminino, sua incidência em homens está aumentando.

Além disso, outro dado preocupante: estudos têm observado uma incidência maior dos distúrbios em crianças, sobretudo os casos de anorexia.

 

Principais causas da bulimia: afinal, o que causa a bulimia?

 

As causas da bulimia são muito semelhantes às da anorexia. Dentre as principais causas, têm-se (fonte: Ministério da Saúde):

  • predisposição genética;
  • pressão social e familiar;
  • valorização do corpo magro como ideal máximo de beleza.

Ou seja, são diversos fatores favorecem o aparecimento dessas doenças, dentre elas o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância, a pressão da família e do grupo social e a existência de alterações neuroquímicas cerebrais, especialmente nas concentrações de serotonina e noradrenalina, conforme pontua a Universidade Federal de Goiás (UFG).

 

 

Principais sinais físicos da bulimia

 

Os sinais de alerta de bulimia podem ser físicos, psicológicos e comportamentais. Dentre os sinais físicos, os mais comuns são:

  • Mudanças frequentes de peso (tanto a perda quanto o ganho);
  • Sinais de danos devido ao vômito, incluindo inchaço em torno das bochechas ou mandíbula, calos nas juntas, dano aos dentes e mau hálito;
  • No caso das mulheres, ciclos menstruais incertos;
  • Desmaio ou tonturas;
  • Erosão do esmalte dentário devido ao ácido estomacal;
  • Dentre outros.

Desta forma, como pontua o Manual MSD, a pessoa com bulimia nervosa tem episódios repetidos de compulsão alimentar. Ou seja, ela ingere uma quantidade de alimentos muito maior que a maioria das pessoas consumiria em um determinado período.

Além disso, o estresse emocional pode desencadear episódios de compulsão alimentar que, geralmente, são praticados em segredo. A pessoa tende a consumir alimentos com alto teor de açúcar e de gordura. A quantidade de alimento consumida varia, chegando às vezes a milhares de calorias. Os episódios de alimentação compulsiva podem ocorrer várias vezes por dia.

 

A questão do vômito na bulimia

 

Como vimos, os vômitos autoinduzidos podem provocar erosão no esmalte dentário, fazer com que as glândulas salivares nas bochechas (glândulas parótidas) fiquem aumentadas e causar inflamações no esôfago.

O vômito também pode diminuir os níveis de potássio no sangue, causando arritmias cardíacas (fonte: Manual MSD).

 

Famosas que já passaram pela bulimia

 

E os transtornos alimentares podem afetar qualquer pessoa, mesmo aquelas que são famosas e que estão dentro de alguns padrões de beleza impostos cruelmente. Vamos conhecer algumas histórias?

 

Bruna Marquezine

bruna marquezine fala sobre distúrbio de imagem e de distúrbio alimentar

Considerada uma das mulheres mais bonitas da sua geração, ela já confessou que o excesso do foco da mídia (desde que ela era criança), trouxe diversas consequências, inclusive negativas.

Ela explicou que sofreu de distúrbio de imagem e de distúrbio alimentar. Ela disse que viveu o auge do distúrbio de alimentação e de um processo depressivo pouco antes de 2018, quando fez uma publicação reclamando da cultura dos “haters” nas redes sociais. “Eu passava o dia inteiro sem comer, sem tomar água”, contou. “À noite, tinha fome, pedia uma pizza e comia inteira”, continuou. “Ficava muito mal e tomava dois lacto-purgas, um laxante pesado. No dia seguinte, acordava passando mal, ia ao banheiro, botava para fora todos os nutrientes.”

Para ler mais sobre os relatos de Bruna Marquezine, clique aqui.

 

Mariana Goldfarb

Mariana Goldfarb sofreu com bulimia e anorexia

Outra mulher super linda e, ainda, casada com Cauã Raymond conta seu sofrimento. Durante quase um ano, a modelo Mariana Goldfarb só comia peixe. A simples visão de um alimento com carboidrato fazia ter repulsão. Ela ainda não sabia, mas já dava sinais claros do desenvolvimento da anorexia e da bulimia que a fariam sofrer por alguns meses

Para contar um pouco da sua história, ela lançou o e-book “Temperos da vida”. Para saber mais, leia a matéria aqui.

 

Lady Gaga

lady gaga fala abertamente sobre bulimia e anorexia

Lady Gaga é outra artista muito famosa que fala, abertamente, sobre a bulimia e anorexia que sofreu no passado devido à sua obsessão em relação ao peso.

 

Kate Winslet

Kate Winsletdesenvolveu bulimia na adolescencia

Quem não se lembra de Kate Winslet e seu grande sucesso em Titanic? Ela conta que, durante a adolescência, recebeu diversos apelidos maldosos dos seus colegas e acabou desenvolvendo a bulimia.

 

Princesa Diana

Princesa Diana sofreu com bulimia e depressao

Nem tudo é um conto de fadas para as princesas. Princesa Diana falou, em alguns momentos, de maneira aberta sobre a sua depressão que a levou à bulimia. Sobre a doença, ela confidenciou: “É uma doença terrível, porque é o paciente que inflige em si mesmo. É uma questão de baixa autoestima, e é como se fosse um vício – você enche seu estômago e se sente confortável, e então vem a culpa e o vômito induzido”, disse a princesa em entrevista.

Para saber mais, leia aqui.

Trouxemos aqui o exemplo de pessoas famosas que falam abertamente sobre a bulimia para mostrar que, infelizmente, este transtorno é mais comum do que imaginamos.

 

Tratamentos

 

Na bulimia, o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Assim, é importante que as pessoas mais próximas estejam muito atentas para os principais sinais da bulimia.

O Ministério da Saúde explica que o tratamento da bulimia nervosa exige o acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, nutricionistas. Medicamentos antidepressivos podem ser úteis, especialmente se ocorrerem distúrbios como depressão e ansiedade.

Assim, o tratamento da bulimia nervosa pode incluir terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia interpessoal e farmacoterapia (fonte: Manual MSD).

 

Terapia Cognitivo-Comportamental

Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), os objetivos são:

  • Motivar a pessoa a mudar;
  • Estabelecer e manter um padrão de alimentação regular e flexível;
  • Reduzir sua preocupação com o peso corporal e a forma física.

 

Assim, a pessoa frequenta a terapia, seja individualmente ou em grupo, uma ou duas vezes por semana durante um período de quatro a cinco meses, totalizando 16 a 20 sessões.

Desta forma, a TCC consegue acabar com os episódios de compulsão alimentar e purgação em, aproximadamente, 30% a 50% das pessoas com bulimia.

Muitas outras também apresentam quadros de melhora, mas outras abandonam a terapia ou não apresentam resposta. No geral, as pessoas que melhoram costumam continuar bem.

 

E a psicoterapia interpessoal?

 

Ainda de acordo com o Manual MSD, a psicoterapia interpessoal pode ser uma alternativa quando a terapia cognitivo-comportamental não está disponível.

No caso, este tipo de formato ajuda o indivíduo a identificar e a fazer mudanças em problemas interpessoais que podem estar contribuindo para o transtorno alimentar. É importante reforçar que essa terapia não consiste em dizer à pessoa de que maneira ela deve mudar, não interpreta esse comportamento e não lida diretamente com o transtorno alimentar.

 

Um alerta: os transtornos alimentares podem ser um fator de risco para o suicídio

 

O Conselho Federal de Nutricionistas explica que, numa perspectiva psiquiátrica e psicológica, transtornos alimentares também são fatores de risco para um comportamento suicida.

E isso acaba sendo mais comum entre os jovens de 12 a 18 anos e as mulheres de 12 a 35. Além disso, transtornos de ansiedade, depressão, abuso de álcool e/ou drogas psicoativas são frequentes em indivíduos com transtornos alimentares.

Neste contexto, a anorexia e a bulimia nervosas são os transtornos que mais reúnem elementos de predisposição ao suicídio, assim como tendem a aparecer em quem tem transtorno de personalidade limítrofe (borderline).

Um outro ponto de alerta e preocupação: na maioria das vezes, pessoas com tais transtornos alimentares não reconhecem que têm problemas de saúde. É como se não percebessem o sofrimento físico e psicológico que enfrentam ao lidar, de maneira equivocada, com uma dieta inadequada e nada saudável às suas reais necessidades, sejam elas:

  • orgânicas;
  • de bem-estar;
  • de qualidade de vida.

 

Se você, ou alguém próximo está passando por isso, é importante procurar apoio especializado. Não tenha vergonha: e um profissional adequado, certamente, terá diversas ferramentas para te ajudar a superar a bulimia.

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