gravidez na adolescencia

20-11-2020

Gravidez na adolescência: dúvidas e respostas

A gravidez na adolescência pode pegar muitos familiares de surpresa e, com isso, gerar uma grande tensão para todos. Veja aqui os principais pontos que são necessários levar em consideração para um maior equilíbrio.

 

Muitas famílias são pegas de surpresa com uma gravidez na adolescência. Acusações, brigas, medos, alegria… é uma mistura de diversos sentimentos. E para entender este tema tão sensível (mas também comum), no post de hoje vamos falar exatamente sobre isso: a gravidez na adolescência e algumas informações importantes para a família tratar deste assunto com equilíbrio e serenidade.

Vamos lá?

 

 

 

Gravidez na adolescência: um retrato do Brasil e do mundo

 

O Ministério da Saúde explica que os adolescentes são os indivíduos com idades entre 10 e 20 anos incompletos. E, para termos ideia, os adolescentes representam entre 20% e 30% da população mundial. No caso do Brasil, estima-se que essa proporção alcance 23%.

Além disso, dentre os problemas de saúde nessa faixa etária, é importante destacar que a gravidez se sobressai em quase todos os países e, em especial, nos países em desenvolvimento.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gestação nesta fase é uma condição que aumenta a incidência de complicações para a mãe, para o feto e para o recém-nascido, além de ser um agravador de problemas socioeconômicos já existentes.

A Associação Médica Brasileira (AMB) identifica que, anualmente, cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes. Em números absolutos isso representa 400 mil casos por ano. Em termos de comparação, mundialmente são aproximadamente 16 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos; e 2 milhões de adolescentes menores de 15 anos grávidas.

É importante destacar que diversos fatores contribuem para a gestação na adolescência. No entanto, a desinformação sobre a sexualidade e os direitos sexuais e reprodutivos acabam sendo os principais motivos. Questões emocionais, psicossociais e contextuais também contribuem, inclusive para a falta de acesso à proteção social e ao sistema de saúde, englobando o uso inadequado de contraceptivos.

 

 

 

Principais fatores de risco da gravidez na adolescência

 

Segundo o Ministério da Saúde, os principais fatores que aumentam os riscos da gestação na adolescência são:

 

  • idade menor que 16 anos ou ocorrência da primeira menstruação há menos de 2 anos (fenômeno do duplo anabolismo: competição biológica entre mãe e feto pelos mesmos nutrientes);
  • altura da adolescente inferior a 150 cm ou peso menor que 45kg;
  • existência de atitudes negativas quanto à gestação ou rejeição ao feto;
  • tentativa de interromper a gestação por quaisquer meios;
  • falta de apoio familiar à adolescente.

 

A SBP também completa que a adolescente tem, por exemplo, sua vida escolar interrompida, além de ter um aumento da situação de vulnerabilidade dessa jovem mãe e seu bebê, principalmente no caso de famílias com baixa renda.

 

O Relatório das Nações Unidas sobre gravidez na adolescência destaca, por exemplo, que as mortes perinatais são 50% mais altas entre recém-nascidos de mães com menos de 20 anos na comparação com recém-nascidos de mães entre 20 e 29 anos.

O tema é tão relevante que existe, no Brasil, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência (instituída pela Lei 13.798/2019).

 

 

 

Prevenção de gravidez na adolescência: o diálogo é fundamental

 

As famílias não podem deixar para a escola toda a responsabilidade acerca do compartilhamento de informação sobre a saúde sexual dos jovens. Assim, um dos mais importantes fatores de prevenção é a educação, a informação e o diálogo.

O Ministério da Saúde pontua que a educação sexual integrada e compreensiva faz parte da promoção do bem-estar de adolescentes e jovens, pois destacam a importância do comportamento sexual responsável, o respeito pelo/a outro/a, a igualdade e equidade de gênero, assim como a proteção da gravidez inoportuna, a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis/HIV, a defesa contra violência sexual incestuosa, bem como outras violências e abusos.

Além disso, o Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS/ONU) elenca uma série de recomendações para reduzir a gravidez na adolescência, tais como:

 

  • Apoiar programas de prevenção da gravidez baseados em evidências e que envolvam múltiplos setores e visem os grupos mais vulneráveis;
  • Aumentar o uso da contraceptivos;
  • Aumentar os cuidados qualificados de pré-natal, parto e pós-parto;
  • Incluir os próprios jovens na concepção e implementação de programas de prevenção da gravidez.

 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o tema da prevenção da gravidez na adolescência é extremamente importante e exige maiores esclarecimentos e informações, sobretudo para serem repassados à família e aos próprios adolescentes. Especificamente sobre o início da vida sexual, que pode ser um tema polêmico para diversas famílias, é importante ressaltar as questões biológicas, psicológicas e sociais.

Ainda para a SBP, a ausência do uso de métodos contraceptivos, a dificuldade de acesso a programas de planejamento familiar e, principalmente, a falta de informação adequada e sistematizada para os jovens têm contribuído para o aumento da gravidez precoce.

Se sua família tem alguma jovem que está passando pela gravidez na adolescência, todo o apoio é fundamental. Converse, dialogue, acolha.

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