30-12-2019

Entenda o Transtorno Obsessivo Compulsivo: o que é TOC?

Pessoas que sofrem com o Transtorno Obsessivo Compulsivo precisam lidar com tabus e julgamentos para enfrentar este problema. Mas o TOC é sério e muito mais comum do que você imagina. Entenda o que é e como tratar.

 

Muita gente gosta de dizer que tem TOC, justificando aquelas manias que nos acompanham durante a vida. Pode ser ajeitar um quadro, conferir a fechadura, coisas pequenas do tipo. Para alguns, isso soa até engraçado. Mas essa romantização do Transtorno Obsessivo Compulsivo não leva em conta que muitos sofrem de verdade com seus comportamentos repetitivos, quase irracionais, que já se tornaram verdadeiras obsessões.

O TOC é um tipo de transtorno de ansiedade bem comum. Cerca de 2% da população mundial sofre com isso. É caracterizado por pensamentos ou fortes impulsos que levam o indivíduo a executar comportamentos específicos repetidamente. É algo maior do que nossa vontade. A pessoa se sente ansiosa e enfrenta uma necessidade latente de “resolver o problema”, mesmo que isso venha a atrapalhar sua rotina, trabalho e relacionamentos.

 

TOC precisa ser tratado?

O Transtorno Obsessivo Compulsivo, como o próprio nome já diz, não é algo a ser banalizado. Mas, sim, tratado. Imagine-se convivendo com uma constante angústia ou ansiedade toda vez que se depara com sua “mania”. Assim mesmo, entre aspas, pois quem sofre com TOC tem nelas uma obsessão, que o leva a comportamentos repetitivos, ou rituais, de maneira angustiantemente exagerada.

É algo que atravessa o limite do saudável. Lavar as mãos, por exemplo, em si só é um hábito bom. Mas a partir do momento em que a pessoa se sente desconfortável em uma reunião de trabalho, em um jantar de família, precisando “se livrar” das bactérias a todo custo, o problema alcança outro tom.

O TOC é um transtorno que perturba o cotidiano de uma pessoa, muitas vezes, desde jovem. Seus sintomas apresentam-se ao longo da vida, com variações na intensidade. Porém, se não tratado, tendem a ser crônicos e normalmente não desaparecem sem ajuda.

 

Classificação (ou Tipos de Transtorno Obsessivo Compulsivo):

Segundo o Dr. Drauzio Varela, existem dois tipos de TOC:

– O Transtorno Obsessivo Compulsivo subclínico: quando a pessoa apresenta os sintomas do TOC, mas sem que isso atrapalhe sua rotina

– O Transtorno Obsessivo Compulsivo Propriamente Dito: quando somente o exercício da compulsão alivia a ansiedade da pessoa

 

Sintomas do TOC:

O principal sintoma de uma pessoa com TOC se apresentam em forma de uma compulsão, uma obsessão, ou ambos. Normalmente os dois ao mesmo tempo, visto que tal obsessão a leva a comportamentos compulsivos e repetitivos.

Voltando ao exemplo de lavar as mãos: sentir a necessidade urgente de fazer isso toda hora, com medo das bactérias da rua, de um corrimão, de uma maçaneta, é uma obsessão. Não se segurar, e fazer isso toda vez que se expõe a este tipo de situação, é uma compulsão. Em seguida vamos explicar melhor esta divisão.

 

Obsessões:

No TOC, as obsessões se manifestam em impulsos mentais e pensamentos repetitivos. A pessoa se sente ansiosa, desconfortável, com uma vontade forte de “cumprir um ritual”, proteger-se de alguma coisa, enfim. Os exemplos mais comuns são:

– Medo de contaminação. Temer germes e bactérias, e sentir a necessidade de lavara as mãos para se proteger das doenças causadas por elas.

– Limpeza. Uma preocupação excessiva de manter o ambiente sempre limpo.

– “Checagem”. Ficar em dúvida e sentir o impulso de chegar se a porta está trancada, se a geladeira está fechada, se o gás está desligado. Normalmente antes de ir dormir, ou ao sair de casa.

– Simetria. Se incomodar, e se desconcentrar, fortemente com objetos fora de ordem ou desalinhados.

 

Compulsões:

A compulsão é quando a obsessão se transforma em ação. Um comportamento físico repetitivo, que, por mais que seja voluntário, a pessoa sofre para (ou não consegue) evitar. É o caso de contar coisas, lavar as mãos ou objetos para evitar contaminações, conferir as portas e janelas, entre outros. Não é “pensar em”, é “fazer”.

Também é comum chamar as compulsões de rituais. Pois é como elas se apresentam muitas vezes. Por exemplo: fazer a ronda na casa antes de ir dormir, ou organizar a mesa antes de começar a trabalhar.

Claro, é muito comum encontrar pessoas que têm seus rituais cotidianos, e isso nem sempre está ligado a uma obsessão. Mas quando é o caso, fazendo a pessoa dedicar horas do seu dia com esta preocupação, o TOC se caracteriza.

 

Aqui estão alguns exemplos de quando um ritual ou compulsão pode ser sinal de Transtorno Obsessivo Compulsivo:

 

– Dedicar 1 hora por dia, ou mais, com estes rituais ou pensamentos

– Saber que isso é excessivo, mas mesmo assim não conseguir controlar

– Notar que isso está prejudicando sua vida, como na rotina de trabalho ou em relacionamentos

 

O que causa o TOC:

Embora tenha tratamento, as causas do Transtorno Obsessivo Compulsivo ainda são desconhecidas. Apesar disso, existem alguns indícios que podem contribuir para o seu desenvolvimento. A própria genética é um fator de risco.

Estudos apontam que pessoas com parentes de primeiro grau que têm TOC, apresentam mais riscos de desenvolver o transtorno. Pessoas que sofreram algum tipo de trauma na infância também podem acabar desenvolvendo a doença com mais facilidade.

Além disso, há pesquisas que apontam algum tipo de relação entre certas anormalidades em regiões do cérebro e o desenvolvimento do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Mas, como falamos, ainda não existe nada taxativo. Apenas pesquisas que buscam em sua origem um meio de facilitar o tratamento.

 

Como tratar o Transtorno Obsessivo Compulsivo:

O transtorno Obsessivo Compulsivo anda de mãos dadas com outros distúrbios mentais, como ansiedade, depressão e bipolaridade. Por isso, o primeiro passo é sempre buscar um acompanhamento psiquiátrico. A boa notícia é que bons resultados são observados na maioria dos casos.

De uma maneira geral, o tratamento normalmente envolve psicoterapia, medicação ou uma combinação dos dois. Mas antes de buscar “formas de cura”, novamente, é importante procurar a ajuda de alguém com experiência no assunto. Não falaremos sobre os tipos de medicamento aqui, pois isso é de responsabilidade médica.

Durante o tratamento, uma das possibilidades que se apresenta é a terapia de exposição, onde o paciente busca controlar seus rituais, passo a passo. Também pode ser recomendado uma combinação com terapias alternativas, como o Mindfulness, ou qualquer outra que envolva respiração e meditação. O objetivo é tornar a pessoa ciente de suas ações a maior parte do tempo.

 

Recomendações para familiares

Em relação aos familiares, uma boa dica é não se tornar refém do TOC. Muitas vezes os parentes acabam cedendo aos rituais de alguém que sofre com o transtorno, buscando evitar as consequências desta exposição, como uma grande ansiedade, stress ou comportamento agressivo. Mas isso só contribui para o desenvolvimento desta condição. Como falamos anteriormente, a exposição pode fazer parte do tratamento, mas sempre com o apoio médico.

 

Não tenha vergonha

A grande questão no tratamento do TOC é o simples fato de buscar resolver o problema. E parte disso é aceitar, e esquecer qualquer julgamento de seus amigos ou familiares. Mesmo que a gente viva em uma sociedade em que este tipo de transtorno não recebe devida atenção, as vezes, o maior julgamento está na cabeça do próprio paciente. O tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo resulta em uma grande melhora na qualidade de vida de inúmeros clientes. O denominador comum em todos eles, encontra-se justamente em tê-lo iniciado.

 

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