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11-03-2020

Depressão pós-parto: tudo o que você precisa saber

Entenda o que é a depressão pós-parto, seus principais sintomas, as diferenças em relação ao baby blues e suas principais formas de tratamento.

 

Durante a gravidez, muitas mulheres experimentam um turbilhão de emoções: alegria, medo, dúvidas… São muitas mudanças que ocorrem, tanto hormonais, como físicas e emocionais. E aí vem a expectativa: com o nascimento do bebê, esta montanha-russa emocional vai acabar.

Porém, para algumas mães, a realidade é um pouco diferente: elas são acometidas por uma profunda tristeza e desesperança. Sim, estamos falando de depressão pós-parto. O Ministério da Saúde divulgou um estudo da Ensp/Fiocruz que revela que, no Brasil, em cada quatro mulheres mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. É importante destacar que a prevalência desse distúrbio no Brasil foi mais elevada que a estimada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países de baixa renda, em que 19,8% das parturientes apresentaram algum tipo de transtorno mental, em sua maioria a depressão.

Por isso, no post de hoje vamos entender o que é a depressão pós-parto, suas características e outras informações importantes para afastar todo o preconceito em torno desta condição.

 

O que é depressão pós-parto?

Como o próprio nome revela, a depressão pós-parto ocorre logo após o parto. Dentre os sintomas, têm-se tristeza, desesperança, o desinteresse em relação a maior parte das atividades diárias e, em caso mais extremos, pensamentos relacionados com a morte e o suicídio.

A principal causa da depressão pós-parto está relacionada com o desequilíbrio dos hormônios decorrentes com o final da gravidez. Associada a questão hormonal, no geral têm-se também: a privação de sono, alimentação inadequada, falta de apoio do parceiro, dentre outros. Estes fatores podem potencializar a manifestação da depressão pós-parto. Quais são as principais mudanças que acometem as mulheres após o parto?

  • Hormonais: com o parto, tem-se uma queda muito acentuada do estrogênio e da progesterona. Além disso, outros hormônios produzidos pela tireoide podem cair bruscamente. Toda essa mudança hormonal pode influenciar o comportamento da mãe;
  • Físicas: mudanças no volume de sangue, na pressão arterial e no metabolismo podem afetar a disposição da mulher, gerando uma sensação de fadiga;
  • Emocionais: a privação de sono, os medos e dúvidas relacionados com os cuidados do bebê e todo o cansaço físico da nova rotina podem contribuir para a depressão pós-parto;
  • Rotina: outros fatores podem contribuir para a depressão pós-parto, como o cotidiano de cada mulher. Por exemplo, há contextos com maior potencial de pressão, como problemas com a amamentação, problemas financeiros, sentimento de ciúme do filho mais velho em relação ao bebê, pouco apoio familiar, dentre outras questões.

 

Baby blues e depressão pós-parto são a mesma coisa?

Nos últimos anos tem sido difundido o termo baby blues, que é utilizado para designar o humor instável e a tristeza materna que podem iniciar dois a três dias após o nascimento do bebê e pode durar até duas semanas. Os principais sintomas do baby blues são:

  • Maior sensibilidade emocional;
  • Vontade de chorar constantemente;
  • Sensação de insegurança;
  • Ansiedade;
  • Impaciência;
  • Dificuldade para dormir;
  • Mudanças bruscas no humor.

É importante ressaltar que o baby blues causa uma tristeza branda e que não impossibilita a mãe de realizar as suas atividades ou de cuidar do bebê. Ou seja, o baby blues não é incapacitante para a mãe em termos de rotina, além de ser uma condição mais branda, ou seja, com menor intensidade.

Já a depressão pós-parto, como vimos anteriormente, manifesta-se de maneira bem mais intensa e prolongada fazendo, muitas vezes, com que a mãe se sinta desmotivada e não tenha força para lidar com a nova rotina.

Apesar dos sintomas serem bem parecidos, a intensidade de como eles se manifestam é muito mais acentuada na condição de depressão pós-parto. Além disso, a depressão pós-parto costuma acometer as mães que já possuem histórico de depressão durante a gravidez ou em outros momentos da sua vida.

 

Alguns tratamentos para a depressão pós-parto

Quando a mulher é diagnosticada por um profissional com depressão pós-parto, os principais tratamentos podem ser:

 

Psicoterapia

A psicoterapia ajuda o fortalecimento interno e uma melhor compreensão para lidar com as causas do sofrimento. Além disso, ajuda a entender os potenciais da mulher e a melhor desenvolvê-los.

 

Terapia hormonal

A reposição hormonal pode ajudar a neutralizar a queda brusca nos níveis de estrogênio que acontece com o parto, aliviando alguns sintomas da depressão pós-parto. Entretanto, ainda não é comprovado que a terapia hormonal possa tratar a depressão pós-parto. O médico precisa, juntamente com sua paciente, pesar os riscos e benefícios potenciais deste tratamento.

 

Medicamentos

Já os medicamentos antidepressivos são indicados em quadros graves ou moderados. É necessário que o médico, juntamente com sua paciente, poderem os riscos de medicar e de não medicar.

 

É importante ressaltar que, caso não seja tratada, a depressão pode se tornar crônica e ainda mais grave.

 

Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS)

Caso a mulher esteja achando que está sofrendo com depressão pós-parto, a indicação é procurar um profissional para que seja avaliada de maneira correta. Paralelamente a isso, caso seja identificada alguma causa ou suspeita de um quadro de depressão pós-parto, responder as perguntas da  Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS), que é um instrumento autoavaliativo, pode ser utilizada de maneira complementar. É importante lembrar que o resultado não afirma o diagnóstico de depressão, mas a necessidade de cuidar da própria saúde e dos sentimentos.

A depressão pós-parto é uma condição comum para um grande número de mulheres. É necessário falar sobre este assunto sem tabus e de maneira franca, pois é a melhor forma de ajudar as mães que sofrem caladas. Quer saber mais sobre o assunto? Temos um outro conteúdo que vai te interessar muito “Entendendo o que é a ansiedade”.  Mantenha-se sempre atualizado seguindo-nos através do Facebook, do Instagram ou através do Blog Zenfy.