bruxismo e ansiedade

03-05-2021

Bruxismo: Entenda a relação com a sua saúde mental

Cuidar da saúde mental é algo fundamental, pois ela tem impacto direto em diversas áreas da vida e na saúde como um todo, visto que pode trazer sintomas psicossomáticos ou mesmo modificar questões de autocuidado. Nesse sentido, inclusive, alguns quadros preexistentes ou predisposições podem ser favorecidos/agravados, havendo relação até entre o bruxismo e a saúde mental.

Isso ocorre porque, dentre as origens do bruxismo, a ansiedade e o estresse são quadros que se destacam como potencializadores, já que a tensão constante pode favorecer diversas doenças, inclusive o tensionamento das articulações corporais, fator determinante na condição do bruxismo.

Assim, apesar de não ser o único potencializador do bruxismo, a saúde mental pode se relacionar diretamente com o quadro, podendo criar – ainda – um ciclo vicioso, no qual tanto a cavidade quanto a mente podem ser ainda mais prejudicadas.

De modo a compreender melhor a relação entre elas e os impactos, continue a leitura deste artigo.

 

O que é bruxismo?

 

Primeiramente, é importante conceituar o que é o bruxismo, qual sua relação com a saúde bucal e a mental, sintomas, as causas e os principais impactos negativos que ele pode acarretar.

Não existe uma definição muito aprofundada sobre esse conceito, mas, de modo geral, é a ação, muitas vezes involuntária, do aperto ou ranger dos dentes.

Ou seja, é quando a arcada dentária superior e a inferior ficam em constante contato, desgastando o esmalte dentário.

Essa prática pode ocorrer em diversos momentos, até mesmo dormindo, sem nenhum controle das pessoas que possuem essa condição.

Também não existe uma idade mais específica em que o bruxismo pode acontecer, podendo ocorrer em qualquer fase, inclusive por fatores externos.
Dessa forma, todas as pessoas estão sujeitas a sofrer com essa condição, independentemente do sexo ou idade.

O diagnóstico do bruxismo é clínico, ou seja, é identificado por profissionais de saúde, seja um dentista durante as consultas de rotinas ou mesmo um clínico geral por conta dos sintomas que podem surgir com o quadro.

Por esse motivo, é importante estar atento a alguns sinais característicos, que vão além do ranger dos dentes.

Como é normal que os dentes fiquem “apertando” constantemente uns aos outros, podem causar alguns sintomas externos e internos a boca, tais como:

  • Dor de cabeça corriqueira;
  • Inchaço na região afetada;
  • Dentes danificados;
  • Dores na mandíbula;
  • Incômodo próximo ao ouvido (que pode ser confundido com dor);
  • Dores no pescoço;
  • Cansaço.

 

No entanto, é uma patologia sem causa única comprovada, podendo ter origem em diversos fatores, inclusive o estresse cotidiano, que pode agravar o quadro.

 

Saúde mental e bucal

 

Primeiramente, é preciso entender que a saúde mental e bucal podem se relacionar em diversos sentidos e graus. Isso porque muitos vícios e manias que surgem como válvulas de escape das questões emocionais podem se manifestar nessa parte do corpo.

Exemplo disso são os hábitos de roer unhas e morder objetos, ou mesmo quadros de comer compulsivamente quando há pico de ansiedade e estresse.

O organismo também funciona de forma integrada, sendo que o mau funcionamento em um dos tecidos pode impactar nos demais se não for devidamente cuidado. Um exemplo claro é a periodontite, que pode acarretar em problemas pulmonares e cardiovasculares.

 

Bruxismo e saúde mental

 

Quando abordamos o bruxismo de forma mais específica em relação à saúde mental, alguns fatores podem ser avaliados, como a qualidade do sono e o impacto que o estresse pode trazer ao quadro, em alguns casos.

Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) os pacientes mais propensos a desenvolver o bruxismo são aqueles que possuem muitas responsabilidades e apresentam problemas em lidar com emoções como a ansiedade e a raiva.

Por esse motivo, dentre as formas de controlar o quadro é buscar, junto aos demais tratamentos, o suporte de um psicólogo ou terapeuta.

Inclusive, apenas o incômodo gerado pelo bruxismo já pode ser considerado um fator que influencia na qualidade de vida do paciente com essa condição, visto que afeta diretamente a saúde bucal, mental, bem como pode influenciar em todo o organismo.

Sentir dor, problemas no maxilar e inchaço na boca é bastante incômodo, podendo gerar estresse e dificuldades de executar as tarefas por falta de concentração, dentre outras dores e impactos.

Como dissemos, não existem causas específicas para isso, mas como percebido, os profissionais apontam que a ansiedade e estresse, por exemplo, podem proporcionar essa movimentação constante nos dentes, danificando sua estrutura.

Por isso, ter hábitos saudáveis e conseguir formas de controlar o estresse e a ansiedade pode ser bastante interessante para que essa condição não se agrave.

Contudo, já no caso de consequências já terem ocorrido, como a estrutura dental já ter sido afetada pela movimentação, também é importante verificar procedimentos que possam recuperar a dentição. Exemplo disso é a colocação de lente de contato dental.

Isso porque, com o ranger constante entre a arcada superior e inferior, os dentes podem sofrer com desgastes, trincos e quebras, precisando ser recuperados para a qualidade da mastigação, do sorriso e, em alguns casos, a autoestima.

Isso é fundamental para evitar que o bruxismo acabe afetando não só a saúde mental cada vez mais, mas também a saúde bucal.

No caso da saúde mental, os desconfortos e cansaço podem ser destacados como a principal influência direta do bruxismo.

Já em relação à saúde bucal, o bruxismo pode afetar a estrutura dos dentes, pois com o tempo e desgaste recorrente, os dentes ficam fragilizados a nível de quebrarem ou mesmo caírem, bem como demandarem extração.

Com isso, além de afetar a qualidade da mordida e dentição, a beleza do sorriso também pode ser impactada, o que representa, mesmo que indiretamente, o reflexo do bruxismo para a saúde mental, já que pode afetar a segurança ao interagir e sorrir.

De modo a minimizar esses impactos, poderá ser necessário recorrer ao uso de implante dentário também para recuperar a estrutura e a mordida.

Assim, é fundamental recorrer ao auxílio de profissionais especializados para a recuperação dos desgastes causados, como também controlar o bruxismo, visto que muitos casos podem ser crônicos, demandando acompanhamento e tratamento frequente e de setores diversos. Veremos mais profundamente sobre os tratamentos no próximo tópico.

 

Tratamentos

 

Assim como o diagnóstico é clínico, os tratamentos também devem ser executados por profissionais de qualidade, que saberão exatamente como corrigir/amenizar essa condição, identificando suas possíveis origens.

Existem diferentes tipos de tratamentos que podem ser eficazes, e precisam ser realizados antes de procedimentos estéticos, como o clareamento dental ou mesmo a reparação dental por meio das facetas – por exemplo.

Em graus menores, ou seja, menos problemáticos, os dentistas podem realizar tratamentos para correção da mordida, por vezes sem o apoio de uma equipe multidisciplinar.

Nesse caso, a origem do bruxismo pode estar relacionada ao posicionamento dos dentes, que conferem maior tensão entre as estruturas. O uso do aparelho ortodôntico, por exemplo, pode ser indicado.

Apesar disso, normalmente é utilizada uma placa miorrelaxante, servindo como um método interessante para pequenas correções e que pode ser usada durante o sono para reduzir o contato dos dentes.

Já em casos mais graves, em que o bruxismo é um problema bastante intenso, dificultando o dia a dia dos pacientes de forma séria, pode ser necessário uma intervenção mais aprofundada.

Nesses casos, o aparelho dentário, placas intraorais, ou outros instrumentos são utilizados para minimizar os efeitos, sintomas e consequências, sendo conciliados com outras formas de tratamento.

Uma das medidas mais comuns que é aplicada nesse sentido é o uso de toxina botulínica no maxilar para relaxá-lo e reduzir o contato/impacto entre os dentes.

Além disso, em situações de haver o desgaste da musculatura responsável pela mastigação, processos de fisioterapia também podem ser necessários.

No entanto, a condição do bruxismo pode ser neurológica e, por isso, nem sempre pode ser totalmente resolvida por uma questão odontológica.

É justamente por isso que o diagnóstico tem que ser o mais preciso e rápido possível, para identificar a gravidade do problema e possíveis fatores que estão influenciando na patologia.

Nesse sentido, o suporte de profissionais da neurologia, psicologia e demais áreas podem ser necessários, conforme a identificação dos possíveis ofensores do bruxismo.

 

Conteúdo originalmente desenvolvido pela equipe do blog Qualivida Online, site no qual é possível encontrar diversas informações, dicas e conteúdos ricos sobre os cuidados com a saúde física e mental.