anorexia e bulimia

18-06-2021

Você sabe a diferença entre Anorexia e Bulimia? Saiba como identificar

Entenda o que são transtornos alimentares, veja as diferenças entre anorexia e bulimia, seus principais sintomas, causas e tratamentos.

 

Nos últimos posts temos tratados sobre diversos transtornos alimentares. E, dentro deste tema, é muito comum a confusão entre anorexia e bulimia.

Para esclarecer as principais diferenças entre estes dois problemas, no post de hoje vamos entender o que são transtornos alimentares, ver o que é anorexia e bulimia, seus principais sintomas, causas e tratamentos.

Vamos lá?

 

O que são os transtornos alimentares?

 

Antes de explicarmos o que anorexia e bulimia, é importante entender que elas são entendidas como um tipo de transtorno alimentar.

O Ministério da Saúde explica que os transtornos alimentares (TAs) mais comuns são:

  • anorexia nervosa;
  • bulimia nervosa;
  • transtorno da compulsão alimentar.

 

Além disso, outro dado alarmante: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) citada pelo Portal Veja, os transtornos alimentares afetam 4,7% da população brasileira. Porém, entre os jovens, esse índice pode chegar até a 10%.

 

O que é anorexia?

 

De acordo com o Manual MSD, a anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por:

  • uma busca incessante pelo emagrecimento;
  • uma imagem corporal distorcida;
  • um medo extremo da obesidade;
  • a restrição do consumo de alimentos, que resultam em um peso corporal
  • significativamente baixo.

 

Tipos de anorexia

 

Além disso, é importante entender que há dois tipos de anorexia nervosa:

  • Tipo restritivo: A pessoa limita a ingestão de alimentos, mas não come compulsivamente nem pratica purgação de forma regular. Algumas pessoas praticam exercícios em excesso.
  • Tipo compulsão alimentar/purgativo: A pessoa limita sua ingestão de alimentos, mas também come compulsivamente e/ou pratica a purgação em intervalos regulares.

 

Estudos mostram que entre 30% e 50% das pessoas com anorexia nervosa apresentam episódios de compulsão alimentar e/ou purgativos por vômito autoinduzindo ou ingestão de laxantes.

A outra metade, simplesmente, restringe a quantidade de alimentos que ingere.

Também é frequente que a pessoa minta sobre quanta comida ela consumiu e oculte o fato de que vomitou.

 

A anorexia é um transtorno comum?

 

Esse tipo de transtorno é mais comum entre as mulheres e, geralmente, começa durante a adolescência. Raramente começa antes da puberdade ou após os 40 anos de idade.

Para termos uma ideia de números: anualmente, aproximadamente uma em cada 200 mulheres jovens apresenta anorexia nervosa.

 

Principais sinais da anorexia

 

Quando a pessoa tem anorexia, tudo na vida dela gira em torno de quanto ela come e quanto ela pesa.

Mesmo quando a pessoa fica excessivamente magra, ela quer ficar mais magra ainda. É possível que a pessoa (fonte: Manual MSD):

  • Queixar-se de que está com excesso de peso mesmo quando é excessivamente magra;
  • Pensar em comida o tempo todo;
  • Medir a comida e contar calorias;
  • Guardar, esconder ou jogar fora comida;
  • Fingir que comeu ou mentir sobre o quanto comeu;
  • Exercitar-se mais do que o normal;
  • Usar roupas folgadas ou muitas camadas de roupas.

 

Principais tratamentos para a anorexia

 

Quando uma pessoa sofre com anorexia, o Ministério da Saúde pontua que a reintrodução dos alimentos deve ser gradativa. Caso contrário provocaria grande sobrecarga cardíaca.

Às vezes, pode ser necessária a internação hospitalar para que essa oferta gradual de calorias seja controlada por nutricionistas. Além disso, não há medicação específica para a anorexia nervosa.

Medicamentos antidepressivos podem ajudar a atenuar sintomas depressivos, compulsivos e de ansiedade.

Assim, geralmente o tratamento de pacientes anoréticos exige o trabalho de equipe multidisciplinar.

 

E o que é bulimia?

 

Também de acordo com o Manual MSD, a bulimia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo rápido e repetido de grandes quantidades de alimentos (episódios de compulsão alimentar) seguido por tentativas de compensar o excesso de alimentos consumido (por exemplo, ao praticar purgação, jejum ou exercício).

Assim, a pessoa come grandes quantidades de alimentos e, depois, induz o próprio vômito, usa laxantes, faz regime, jejua ou se exercita excessivamente para compensar.

Essa compensação é o expurgo, ou seja, o comportamento compensatório.

Além disso, o próprio Ministério da Saúde faz um alerta: nem sempre a pessoa que tem bulimia apresenta magreza. O que chama atenção é o cuidado obsessivo e a dieta constante.

 

Incidência por gênero e idade

 

A Fiocruz pontua que, apesar da bulimia (assim como a anorexia) afetar, principalmente, adolescentes e jovens do sexo feminino, sua incidência em homens está aumentando.

Um outro dado preocupante: estudos têm observado uma incidência maior dos distúrbios em crianças, sobretudo os casos de anorexia.

 

Afinal, o que causa a bulimia?

 

As causas da bulimia são muito semelhantes às da anorexia. Dentre as principais causas, têm-se (fonte: Ministério da Saúde):

  • predisposição genética;
  • pressão social e familiar;
  • valorização do corpo magro como ideal máximo de beleza.

 

Principais sinais físicos da bulimia

 

Os sinais de alerta de bulimia podem ser físicos, psicológicos e comportamentais. Dentre os sinais físicos, os mais comuns são:

  • Mudanças frequentes de peso (tanto a perda quanto o ganho);
  • Sinais de danos devido ao vômito, incluindo inchaço em torno das bochechas ou mandíbula, calos nas juntas, dano aos dentes e mau hálito;
  • No caso das mulheres, ciclos menstruais incertos;
  • Desmaio ou tonturas;
  • Erosão do esmalte dentário devido ao ácido estomacal;
  • Dentre outros.

 

Principais tratamentos para a bulimia

 

Na bulimia, o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. Assim, é importante que as pessoas mais próximas estejam muito atentas para os principais sinais da bulimia.

E quais são os tratamentos? O Ministério da Saúde explica que o tratamento da bulimia nervosa exige o acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por:

  • Médicos;
  • Psicólogos;
  • Nutricionistas.

 

Além disso, medicamentos antidepressivos podem ser úteis, especialmente se ocorrerem distúrbios como depressão e ansiedade.

O tratamento da bulimia nervosa também pode incluir terapia cognitivo-comportamental, psicoterapia interpessoal e farmacoterapia (fonte: Manual MSD).

 

Terapia Cognitivo-Comportamental

 

Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), os objetivos são:

  • Motivar a pessoa a mudar;
  • Estabelecer e manter um padrão de alimentação regular e flexível;
  • Reduzir sua preocupação com o peso corporal e a forma física.

 

Assim, a pessoa frequenta a terapia, seja individualmente ou em grupo, uma ou duas vezes por semana durante um período de quatro a cinco meses, totalizando 16 a 20 sessões.

Desta forma, a TCC consegue acabar com os episódios de compulsão alimentar e purgação em, aproximadamente, 30% a 50% das pessoas com bulimia.

Muitas outras também apresentam quadros de melhora, mas outras abandonam a terapia ou não apresentam resposta. No geral, as pessoas que melhoram costumam continuar bem.

 

E a psicoterapia interpessoal?

 

Ainda de acordo com o Manual MSD, a psicoterapia interpessoal pode ser uma alternativa quando a terapia cognitivo-comportamental não está disponível.

No caso, este tipo de formato ajuda o indivíduo a identificar e a fazer mudanças em problemas interpessoais que podem estar contribuindo para o transtorno alimentar. É importante reforçar que essa terapia não consiste em dizer à pessoa de que maneira ela deve mudar, não interpreta esse comportamento e não lida diretamente com o transtorno alimentar.

 

Anorexia x bulimia: principais diferenças

 

Como vimos, tanto a anorexia quando a bulimia são transtornos alimentares nos quais a pessoa apresenta obsessão pela magreza excessiva e faz de tudo para perder o máximo de peso. Muitas vezes, os transtornos alimentares costumam estar ligados à depressão (fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM).

O Portal Tua Saúde explica que, apesar de serem semelhantes em alguns aspectos, a anorexia e a bulimia são transtornos diferentes. Por isso, devem ser devidamente diferenciadas para que o tratamento seja o mais adequado.

Enquanto na anorexia a pessoa, no geral, não come com medo de engordar (apesar de, na maioria das vezes, a pessoa estar abaixo do peso ideal para a idade e para a altura), na bulimia o indivíduo come tudo o que deseja, mas depois provoca o vômito pela culpa ou remorso que sente, sempre com medo de engordar.

 

Como diferenciar a anorexia da bulimia?

 

Para distinguir estes dois transtornos, é necessário focar nas suas principais diferenças que incluem, conforme quadro abaixo adaptado do Portal Tua Saúde:

Anorexia nervosa Bulimia nervosa
Deixa de comer e nega-se a comer Continua comendo. Porém, maioria das vezes, compulsivamente e em exagero
Perda de peso grave Perda de peso apenas um pouco acima do normal ou normal
Grande distorção da própria imagem do seu corpo, vendo algo que não está de acordo com a realidade Faz uma menor distorção da imagem do seu corpo, vendo-o muito semelhante à realidade
Começa, muitas vezes, na adolescência Começa muitas vezes já na idade adulta, por volta dos 20 anos
Constante negação da fome Existe fome e ela é referida
Geralmente afeta pessoas mais introvertidas Geralmente afeta pessoas mais extrovertidas
Não vê que está com um problema e acha que o seu peso e o seu comportamento estão normais O seu comportamento causa vergonha, medo e culpa
Ausência de atividade sexual Existe atividade sexual, embora possa ser reduzida
Ausência de menstruação Menstruação irregular
Personalidade muitas vezes obsessiva, depressiva e ansiosa Muitas vezes apresenta emoções excessivas e exageradas, oscilações de humor, medo do abandono e comportamentos impulsivos

 

 

Se você quer entender mais sobre anorexia e bulimia

ouça esta entrevista com a secretária do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria, Evelyn Eisenstein. Ela explica os problemas destes transtornos na adolescência.

Se você, ou alguém próximo, está passando por algum destes transtornos alimentares é importante procurar apoio especializado. Não tenha vergonha: um profissional adequado, certamente, terá diversas ferramentas para te ajudar a superar a bulimia ou a anorexia.

 

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